segunda-feira, 21 de maio de 2018

Papa pede aos bispos italianos redução do número de dioceses


O Papa Francisco abriu, no final da tarde desta segunda-feira (21/05), a 71ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI). Com o tema “Qual presença eclesial no atual contexto comunicativo”, os trabalhos da plenária prosseguirão até esta quinta-feira, 24 de maio.
Cidade do Vaticano
Se na região do Piemonte há poucas vocações e na Puglia há muitas, pensem numa partilha “fidei donum” dos sacerdotes. Administrem sempre de modo transparente os recursos das dioceses e se convidarem alguém para o jantar, usem o dinheiro de vocês, não da Igreja. Por fim, reduzam o número das dioceses, juntando as menores, como fazia Paulo VI em 1964.
Cultura do provisório e culto ao dinheiro
Essas foram as preocupações expostas pelo Papa Francisco aos bispos italianos, ao abrir, no final da tarde desta segunda-feira (21/05) na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano, a 71ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI). Com o tema “Qual presença eclesial no atual contexto comunicativo”, os trabalhos da plenária prosseguirão até esta quinta-feira, 24 de maio.
Hemorragia de vocações, devido também ao testemunho morno
Sobre a hemorragia das vocações, num país de grande tradição como a Itália e em toda a Europa, o Santo Padre reiterou que este é “o fruto envenenado da cultura do provisório, do relativismo e do culto ao dinheiro”, que distancia os jovens da vocação, somando-se a isso os escândalos e o testemunho morno.
Partilha “fidei donum” de sacerdotes entre as dioceses
A proposta prática é a de uma mais concreta partilha “fidei donum” entre as dioceses italianas, que enriquece as dioceses que doam e as que recebem. No Piemonte, por exemplo, há uma grande aridez, e na Puglia, ao invés, há uma abundância de vocações. “Pensem numa criatividade bonita, vejamos se serão capazes disso”, exortou o Pontífice.
Pobreza evangélica e transparência
A segunda preocupação expressa por Francisco aos bispos italianos diz respeito à pobreza evangélica e à transparência. Para mim, como jesuíta, “a pobreza é sempre mãe e muro da vida apostólica, mãe porque a faz nascer e muro porque a protege.” Sem pobreza não há zelo apostólico, frisou.
Coerência dos pastores entre fé professada e fé vivida
“Quem crê não pode falar de pobreza e viver como um faraó”, observou. É escandaloso “administrar os bens da Igreja como se fossem bens pessoais”. E me faz mal ouvir que um eclesiástico deixou-se manipular administrando “os trocados da viúva”. É preciso regras claras e comuns, acrescentou.
Não convidem para o jantar com o dinheiro da diocese
“Conheço um de vocês que jamais convida alguém para o jantar utilizando o dinheiro da diocese, mas paga do próprio bolso. São pequenos gestos, mas são importantes”, contou o Papa. Tenho consciência e sou reconhecedor de “que na CEI se fez muito no âmbito da pobreza e da transparência, mas se pode fazer mais ainda”, acrescentou Francisco.
Dioceses maiores e em menor número; aspecto funcional
Por fim, sobre a redução e anexação das dioceses, “não é fácil, mas há dioceses que podem ser anexadas”, reconheceu o Pontífice. Já acenei isso em 23 de maio de 2013. Trata-se de “uma exigência pastoral estudada reiteradas vezes. Paulo VI em 1964, e depois em 1966, pediu a fusão de várias dioceses”, para criar circunscrições com territórios, habitantes, clero e obras suficientes para uma organização diocesana verdadeiramente funcional.
Concluir projeto de reforma solicitado pela Congregação para os Bispos
“Em 2016 a Congregação para os Bispos pediu às Conferências episcopais regionais que enviassem um projeto de reforma. É um projeto amadurecido e atual. É chegado a hora de concluí-lo o mais rápido possível!”
Agradeço a todos pela parresia (audácia, coragem, destemor, ndr) – foi o agradecimento final do Santo Padre. “Agora, a palavra a vocês bispos.” As portas da Sala do Sínodo se fecham para todos, menos para o Papa e os coirmãos bispos, concluiu Francisco.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

O perdão dos bispos chilenos ao Papa e à Igreja


Os membros da Conferência Episcopal Chilena divulgaram esta sexta-feira um comunicado ao final dos colóquios com Francisco, colocando seus cargos à disposição do Papa.
Cidade do Vaticano
Depois de três dias de encontros com o Santo Padre e muitas horas dedicadas à meditação e à oração, seguindo as indicações do Papa Francisco, os bispos da Conferência Episcopal Chilena divulgaram a seguinte declaração:
"Antes de tudo, agradecemos ao Papa Francisco pela sua escuta paterna e a sua correção fraterna. Mas, sobretudo, queremos pedir perdão pela dor causada às vítimas, ao Papa, ao Povo de Deus e ao nosso país pelos graves erros e omissões cometidos por nós.
Agradecemos também a Dom Scicluna e ao Rev. Jordi Bertomeu por sua dedicação pastoral e pessoal, e pelo esforço investido nas últimas semanas para tentar sanar as feridas da sociedade e da Igreja no nosso país.
Agradecemos às vítimas por sua perseverança e sua coragem, não obstante as enormes dificuldades pessoais, espirituais, sociais e familiares que tiveram que enfrentar, unidas com frequência à incompreensão e aos ataques da própria comunidade eclesial. Mais uma vez imploramos o seu perdão e sua ajuda para continuar a avançar no caminho do tratamento das feridas para que possam ser sanadas.

Nós nos colocamos em caminho, sabendo que esses dias de diálogo honesto representam uma pedra angular de um profundo processo de transformação guiado pelo Papa Francisco. Em comunhão com ele, queremos restabelecer a justiça e contribuir para a reparação do dano causado, para dar novo impulso à missão profética da Igreja no Chile, cujo centro sempre deveria ter sido em Cristo.
Desejamos que a face do Senhor volte a resplandecer na nossa Igreja e nos empenhemos para isso. Com humildade e esperança, pedimos a todos que nos ajudem a percorrer esta estrada.
Seguindo as recomendações do Santo Padre, imploramos a Deus que nessas horas difíceis, mas repletas de esperança, a Igreja seja protegida pelo Senhor e por Nossa Senhora do Carmo.
Os bispos da Conferência Episcopal Chilena"

Papa Francisco: o pastor não perde tempo em alianças



Na capela da Casa Santa Marta, o Pontífice celebrou a missa comentando o trecho do Evangelho de João dedicado ao último diálogo entre o Senhor e Pedro.
Barbara Castelli – Cidade do Vaticano
“Amar, apascentar e preparar-se para a cruz”, mas sobretudo não cair na tentação de “se intrometer na vida dos outros”. Na missa celebrada na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco traduz em comportamentos concretos o “segue-me” que Jesus dirige aos seus discípulos. O ponto de partida é o trecho do Evangelho de João, em que descreve o último diálogo entre o Senhor e Pedro. Um colóquio repleto de recordações de “Simão, filho de João”: desde que mudou o seu nome, passando por momentos de fraqueza até o “canto do galo”. Um itinerário mental que o Senhor quer para cada um de nós, para que “se faça memória do caminho realizado” com Ele.
O primeiro passo no diálogo com o Senhor é o amor
Na homilia, o Pontífice recordou as três indicações que o Senhor dirige a Pedro: “ama-me, apascenta e prepara-te”. Antes de tudo, o amor, a gramática essencial para ser verdadeiros discípulos do Filho de Deus; e, depois, apascentar, cuidar, porque a verdadeira identidade do pastor é apascentar, “a identidade de um bispo, de um padre, é ser pastor”.
“‘Ama-me, apascenta e prepara-te. Ama-me mais do que os outros, ama-me como puder, mas me ama. É o que o Senhor pede aos pastores e também a todos nós. ‘Ama-me.’ O primeiro passo no diálogo com o Senhor é o amor”.
A bússola de um pastor
O Papa recordou que quem abraça o Senhor está destinado ao “martírio”, a “carregar a cruz”, a ser conduzido para onde não deseja. Esta é a bússola que orienta o caminho do pastor.
“Preparar-se para as provações, a deixar tudo para que venha outro e faça coisas diferentes. Prepare-se para esta aniquilação na vida. E o levarão na estrada das humilhações, talvez para a estrada do martírio. E aqueles que quando você era pastor o louvavam e falavam bem de você, agora falarão mal, porque o outro que vem parece melhor. Prepare-se. Prepare-se para a cruz quando o levarem para onde você não quer. ‘Ama-me, apascenta e prepara-te’. Esta é a rota de um pastor, a bússola”.
Não às alianças eclesiásticas
A última parte do diálogo permite a Francisco falar da última tentação, tão comum: o desejo de se intrometer na vida dos outros, sem se contentar em olhar para a própria vida. Í á
“Coloque-se no seu lugar, não enfie o nariz na vida dos outros. O pastor ama, apascenta e se prepara para a cruz, para o despojamento e não enfia o nariz na vida dos outros, não perde tempo em alianças, em alianças eclesiásticas. Ama, apascenta e se prepara e não cai na tentação”.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Papa: evitar a intriga para caminhar na verdadeira unidade


Na missa matutina, Francisco condenou a intriga como método utilizado ainda hoje para dividir, seja na Igreja, seja na vida política.
Debora Donnini - Cidade do Vaticano
Na missa celebrada esta quinta-feira (17/05) na Casa Santa Marta, o Papa Francisco dedicou a sua homilia ao tema da unidade, inspirando-se na Liturgia da Palavra.
Existem dois tipos de unidade, comentou o Pontífice. A primeira é a verdadeira unidade de que fala Jesus no Evangelho, a unidade que Ele tem com o Pai e que quer trazer também a nós. Trata-se de uma “unidade de salvação”, “que faz a Igreja”, uma unidade que vai rumo à eternidade. “Quando nós na vida, na Igreja ou na sociedade civil trabalhamos pela unidade, estamos no caminho que Jesus traçou”, disse Francisco.

A falsa unidade divide

Porém, há uma “falsa unidade”, como aquela dos acusadores de São Paulo na Primeira Leitura. Inicialmente, eles se apresentam como um bloco único para acusá-lo. Mas Paulo, que era “sagaz”, isto é, tinha uma sabedoria humana e também a sabedoria do Espírito Santo, lança a “pedra da divisão”, dizendo estar sendo julgado pela esperança na ressurreição dos mortos”.
Uma parte desta falsa unidade, de fato, era composta por saduceus, que diziam não existir “ressurreição nem anjo nem espírito”, enquanto os fariseus professavam esses conceitos. Paulo então consegue destruir esta falsa unidade porque eclode um conflito e a assembleia que o acusava se divide.

De povo a massa anônima

Em outras perseguições sofridas por São Paulo, se vê que o povo grita sem nem mesmo saber o que está dizendo, e são “os dirigentes” que sugerem o que gritar:
Esta instrumentalização do povo é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje. Pensemos nisso. O Domingo de Ramos é: todos ali aclamam “Bendito o que vem em nome do Senhor”. Na sexta-feira sucessiva, as mesmas pessoas gritam: “Crucifiquem-no”. O que aconteceu? Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói.

Intrigar: um método usado também hoje

“Criam-se condições obscuras” para condenar a pessoa, explicou o Papa, e depois a unidade se desfaz. Um método com o qual perseguiram Jesus, Paulo, Estevão e todos os mártires e muito usado ainda hoje. E Francisco citou como exemplo “a vida civil, a vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado”: “a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas”. Depois chega a justiça, “as condena e, no final, se faz um golpe de Estado”. Uma perseguição que se vê também quando as pessoas no circo gritavam para ver a luta entre os mártires ou os gladiadores.

A fofoca é uma atitude assassina

O elo da corrente para se chegar a esta condenação é um “ambiente de falsa unidade”, destacou Francisco.
Numa medida mais restrita, acontece o mesmo também nas nossas comunidades paroquiais, por exemplo, quando dois ou três começam a criticar o outro. E começam a falar mal daquele outro… E fazem uma falsa unidade para condená-lo; sentem-se seguros e o condenam. O condenam mentalmente, como atitude; depois se separam e falam mal um contra o outro, porque estão divididos. Por isso a fofoca é uma atitude assassina, porque mata, exclui as pessoas, destrói a “reputação” das pessoas.

Caminhar na estrada da verdadeira unidade

“A intriga” foi usada contra Jesus para desacreditá-lo e, uma vez desacreditado, eliminá-lo:
Pensemos na grande vocação à qual fomos chamados: a unidade com Jesus, o Pai. E este caminho devemos seguir, homens e mulheres que se unem e buscam sempre prosseguir no caminho da unidade. E não as falsas unidades, que não têm substância, e servem somente para dar um passo a mais e condenar as pessoas, e levar avante interesses que não são os nossos: interesses do príncipe deste mundo, que é a destruição. Que o Senhor nos dê a graça de caminhar sempre na estrada da verdadeira unidade.

sábado, 12 de maio de 2018

A Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate do Papa Francisco

Os desafios de ser santos no mundo atual. Em sua Exortação Apostólica ‘Gaudete et Exsultate’, o Papa dá indicações sobre como viver a santidade – um chamado que é para todos – em um mundo que apresenta tantos desafios à fé. Mas Francisco começa o documento, falando sobre o espírito de alegria.
Nós nos tornamos santos vivendo as bem-aventuranças, o caminho principal porque “contra a corrente” em relação à direção do mundo. O chamado à santidade é para todos, porque a Igreja sempre ensinou que é um chamado universal e possível a qualquer um, como demonstrado pelos muitos santos “da porta ao lado”.
A vida de santidade está assim intimamente ligada à vida de misericórdia, “a chave para o céu”. Portanto, santo é aquele que sabe comover-se e mover-se para ajudar os miseráveis e curar as misérias. Quem esquiva-se das “elucubrações” de velhas heresias sempre atuais e quem, entre outras coisas, em um mundo “acelerado” e agressivo “é capaz de viver com alegria e senso de humor.”

Não é um “tratado”, mas um convite

É precisamente o espírito de alegria que o Papa Francisco escolhe colocar na abertura de sua última Exortação Apostólica.
O título “Gaudete et Exsultate”, “Alegrai-vos e exultai,” repete as palavras que Jesus dirige “aos que são perseguidos ou humilhados por causa dele”.
Nos cinco capítulos e 44 páginas do documento, o Papa segue a linha de seu magistério mais profundo, a Igreja próxima à “carne de Cristo sofredor.”
Os 177 parágrafos não são – adverte –  “um tratado sobre a santidade, com muitas definições e distinções”, mas uma maneira de “fazer ressoar mais uma vez o chamado à santidade”, indicando “os seus riscos,  desafios e oportunidades”(n. 2).

A classe média da santidade

Antes de mostrar o que fazer para se tornar santos, o  Papa Francisco se detém no primeiro capítulo sobre o “chamado à santidade” e reafirma: há um caminho de perfeição para cada um e não faz sentido desencorajar-se  contemplando “modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis” ou procurando  “imitar algo que não foi pensado para ele”. (n. 11).
“Os santos, que já chegaram à presença de Deus” nos “protegem, amparam e acompanham” (n. 4), afirma o Papa. Mas, acrescenta, a santidade a que Deus nos chama, irá crescendo com “pequenos gestos” (n. 16 ) cotidianos, tantas vezes testemunhados por “aqueles que vivem próximos de nós”, a “classe média de santidade” (n. 7).

Razão como um Deus

No segundo capítulo, o Papa estigmatiza aqueles que define como “dois inimigos sutis da santidade”, já várias vezes objeto de reflexão, entre outros, nas missas na Santa Marta, na Evangelii gaudium, bem como no recente documento da Doutrina da Fé, Placuit Deo.
Trata-se de “gnosticismo” e “pelagianismo”,  duas heresias que surgiram nos primeiros séculos do cristianismo, mas continuam a ser de alarmante atualidade (n.35).
O gnosticismo – observa – é uma autocelebração de “uma mente sem encarnação, incapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros, engessada numa enciclopédia de abstrações”.
Para o Papa, trata-se de uma “vaidosa superficialidade”, que pretende “reduzir o ensinamento de Jesus a uma lógica fria e dura que procura dominar tudo”. E ao desencarnar o mistério, preferem – como disse em uma missa na Santa Marta – “um Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo “(nn. 37-39).

Adoradores da vontade

O neo-pelagianismo é, segundo Francisco, outro erro gerado pelo gnosticismo. A ser objeto de adoração aqui não é mais a mente humana, mas o “esforço pessoal”, uma vontade sem humildade que “sente-se superior aos outros por cumprir determinadas normas” ou por ser fiel “a um certo estilo católico” (n. 49).
“A obsessão pela lei”, “o fascínio de exibir conquistas sociais e políticas”, ou “a ostentação no cuidado da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja” são para o Papa, entre outros, alguns traços típicos de cristãos que “não se deixam guiar pelo Espírito no caminho do amor”. (n. 57 ).
Francisco, por outro lado, lembra que é sempre o dom da graça que ultrapassa “as capacidades da inteligência e as forças da vontade humana” (n. 54). Às vezes, constata, “complicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos de um esquema”. (Nº 59)

Oito caminhos de santidade

Além de todas as “teorias sobre o que é santidade”, existem as Bem-aventuranças. Francisco coloca-as no centro do terceiro capítulo, afirmando que com este discurso Jesus “explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo” (n. 63).
O Papa as repassa uma a uma. Da pobreza de coração – que também significa austeridade da vida (n. 70) – ao reagir “com humilde mansidão” em um mundo onde se combate em todos os lugares. (n. 74).
Da “coragem” de deixar-se “traspassar” pela dor dos outros e ter “compaixão” por eles – enquanto ” o mundano ignora, olha para o lado” (nn 75-76.) – à sede de justiça.
“A realidade mostra-nos como é fácil entrar nas súcias da  corrupção, fazer parte desta política diária do “dou para que me deem”, onde tudo é negócio. E quantos sofrem por causa das injustiças, quantos ficam assistindo, impotentes, como outros se revezam para repartir o bolo da vida”. (nn. 78-79).
Do “olhar e agir com misericórdia”, o que significa ajudar os outros “e até mesmo perdoar” (nn. 81-82), “manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor” por Deus e o próximo, isto é santidade. (n.86).
E finalmente, do “semear a paz” e “amizade social” com “serenidade, criatividade, sensibilidade e destreza” – conscientes da dificuldade de lançar pontes entre pessoas diferentes (nn. 88-89) – ao aceitar também as perseguições, porque hoje a coerência às Bem-aventuranças “pode ser mal vista, suspeita, ridicularizada” e, no entanto, não se pode esperar, para viver o Evangelho, que tudo à nossa volta seja favorável” (n. 91).

A grande regra do comportamento

Uma dessas bem-aventuranças, “Bem-aventurados os misericordiosos”, contém para Francisco “a grande regra de comportamento” dos cristãos, aquela descrita por Mateus no capítulo 25 do “Juízo Final”.
Esta página, reitera, demonstra que “ser santo não significa revirar os olhos num suposto êxtase” (n. 96), mas viver Deus por meio do amor aos últimos.
Infelizmente, observa o Papa, existem ideologias que “mutilam o Evangelho”. Por um lado, cristãos sem um relacionamento com Deus, que transformam o cristianismo “numa espécie de ONG, privando-o daquela espiritualidade irradiante” vivida por São Francisco de Assis, São Vicente de Paulo, Santa Teresa de Calcutá. (nº 100).
Por outro, aqueles que “suspeitam do compromisso social dos outros”, considerando-o como se fosse algo de superficial, mundano, secularizado, imamentista, “comunista ou populista”, ou “o relativizam” em nome de uma determinada ética.
Aqui o Papa reafirma que “a defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada” (n. 101).
Mesmo a acolhida dos migrantes – que alguns católicos,  observa, gostariam que fosse menos importante do que a bioética – é um dever de todo cristão, porque em todo estrangeiro existe Cristo, e “não se trata da invenção de um Papa, nem de um delírio passageiro” (n. 103).

“Gastar-se” nas obras de misericórdia

Assim, observou que “gozar a vida” como nos convida a fazer o “consumismo hedonista”, é o oposto do desejar dar glórias a Deus, que pede para nos “gastarmos” nas obras de misericórdia (nn. 107-108).
No quarto capítulo, Francisco repassa as características “indispensáveis” para entender o estilo de vida da santidade: “perseverança, paciência e mansidão”, “alegria e senso de humor”, “audácia e fervor”.
O caminho da santidade vivido como caminho “em comunidade” e “em constante oração”, que chega à “contemplação”, não entendida como “evasão que nega o mundo que nos rodeia” (nn. 110-152).

Luta vigilante e inteligente

E porque, prossegue, a vida cristã é uma luta “constante” contra a “mentalidade mundana” que “nos engana, atordoa e torna medíocres” (n. 159).
O Papa conclui no quinto capítulo convidando ao “combate” contra o “Maligno que, escreve ele, não é “um mito”, mas” um ser pessoal que nos atormenta” (n. 160-161).
“Quem não quiser reconhecê-lo, ver-se-á exposto ao fracasso ou à mediocridade”. As suas maquinações, indica, devem ser contrastadas com a “vigilância”, usando as “armas poderosas” da oração, a adoração eucarística, os Sacramentos e com uma vida permeada pela caridade (n. 162).
Importante, continua Francisco, é também o “discernimento”, particularmente em uma época “que oferece enormes possibilidades de ação e distração” – das viagens, ao tempo livre, ao uso descontrolado da tecnologia – “que não deixam espaços vazios onde ressoa a voz de Deus “. Francisco pede cuidados especiais para os jovens, muitas vezes “expostos a um constante zapping”, em mundos virtuais distantes da realidade (n. 167).
“Não se faz discernimento para descobrir o que mais podemos derivar dessa vida, mas para reconhecer como podemos cumprir melhor a missão que nos foi confiada no Batismo.” (174)
Fonte:Vatican News

Vaticano divulga tema do Mês Missionário Extraordinário de 2019

O papa Francisco comunicou o tema para o Mês Extraordinário Missionário, convocado para outubro de 2019: “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”. Em carta, enviada aos bispos, a Congregação para a Evangelização dos Povos dá indicações para viver este evento eclesial.
Para o prefeito da Congregação, cardeal Fernando Filoni, “Oração, a reflexão e a ação, ajudar-nos-ão a viver o Extraordinário Mês Missionário nesta dimensão”, de batizados e enviados, como sugere a temática escolhida pelo papa. “Somos convidados a confirmar a nossa identidade batismal como um encontro pessoal com Jesus Cristo vivo: Ele envia-nos para sermos suas testemunhas no mundo”, completou.
O cardeal Filoni também sugeriu iniciativas para a celebração do Mês Extraordinário Missionário. “Tenho a consciência de que o estou a fazer com bastante antecedência, mas creio que é a única maneira para permitir que toda a Igreja, juntamente com seus pastores, já possa começar a refletir sobre como viver este Extraordinário Mês Missionário”, ponderou.
As propostas (veja abaixo) da Congregação para a Evangelização dos Povos e Pontifícias Obras Missionárias são inspiração para a criatividade das Igrejas locais que devem, de acordo com o cardeal, facilitar a celebração a nível local, que depois acompanhará a universal.
  1. Organizar uma celebração diocesana ou nacional para a abertura do Extraordinário Mês Missionário de outubro de 2019;
  2. Celebrar a Vigília Missionária com o tema proposto pelo Santo Padre;
  3. Propor uma celebração eucarística a nível diocesano para o domingo do Dia Missionário Mundial;
  4. Propor que pequenos grupos de pessoas ou famílias se reúnam pelas casas para rezar o Santo Rosário com intenções missionárias, inspirados na intuição original da Venerável Pauline Jaricot, fundadora da Pontifícia Obra Missionária da Propagação da Fé;
  5. Promover uma peregrinação mariana ou a um santuário, memória de santos ou mártires da missão;
  6. Promover coleções de ofertas e doações econômicas para apoiar o trabalho apostólico Missio ad gentes e a formação missionária;
  7. Propor aos jovens uma atividade pública de anúncio do Evangelho;
  8. Organizar uma celebração diocesana ou nacional para o Encerramento do Mês Extraordinário Missionário de outubro de 2019.
Os diretores nacionais e diocesanos das Pontifícias Obras Missionárias (POM) serão “oportuna referência” de colaboração no sentido de pensar e trabalhar em conjunto as propostas apresentadas pela Congregação para a Evangelização dos Povos. Inclusive, estes responsáveis por este serviço no âmbito da missão colaboram na elaboração de um subsídio que será disponibilizado eletronicamente ainda neste ano.
Fonte: CNBB

Dom Armando Bucciol enumera cinco princípios para evitar abusos litúrgicos


As redes sociais transmitem com extraordinária velocidade imagens de sacerdotes que, em diferentes contextos litúrgicos, usam posturas e comportamentos que não correspondem às orientações da Igreja Católica. Sem julgar as motivações desse agir, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, dom Armando Bucciol, bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), diz que estas posturas são expressões de ‘criatividade selvagem’ e que acabam difundindo a imagem de uma liturgia ‘show’, de baixa ou equivoca coerência com a identidade da liturgia da Igreja. “Estes vídeos não refletem o que acontece na grande maioria das comunidades eclesiais”, defende o religioso.
O bispo aponta que é preciso melhorar, sempre e muito, mas defende que não é um ‘desastre’ a vida litúrgica nas igrejas, como pode aparecer pelas imagens veiculadas que tomam uma proporção ‘midiática’. Para dom Armando a grande maioria dos ministros ordenados celebra com fé, competência e espiritualidade. “Se deslizes superficiais, abusos litúrgicos, expressões banais, às vezes, recebem a honra (ou desonra) da rápida e ambígua difusão mediática, tenho certeza, e experiência, de que as milhares de celebrações que acontecem pelo País são bem preparadas, vividas e ali-mentam a fé, em Jesus, de tantos irmãos e irmãs”, disse.
Os abusos, na avaliação do presidente da Comissão para a Liturgia, não podem ser ignorados e justificados. Eles são fruto de insuficiente ou errada compreensão do que é liturgia e do ‘papel’ do ministro. Frente a este contexto, dom Armando acha necessário recordar alguns ‘princípios’ essenciais que deveriam nortear quem preside e quem colabora nas celebrações litúrgicas. Abaixo, o presidente da comissão enumera cinco princípios que devem nortear quem preside e colabora nas celebrações litúrgicas.
1) Antes e acima de tudo, o protagonista (‘primeiro ator’) é Jesus Cristo que, no Espírito Santo, une a sua Igreja na perene louvação ao Pai, em sua entrega por amor. É Ele que deve aparecer e resplandecer, não o ‘servo’”.
2) Os ‘ministros’ são só (indignos) ‘servos’, de Cristo e da Igreja. Ninguém é ‘dono’ nesta delicada e exigente missão, que pede muitas competências e uma verdadeira ‘vida no Espírito’, isto é, oração – diálogo íntimo e eclesial com o Senhor.
3) É preciso adquirir um estilo celebrativo amadurecido, na formação teológica (‘profissional’ do ministro) e na experiência de fé, a começar pela iniciação cristã, antes, e pela vivência litúrgica nas casas de formação. A liturgia exige a compreensão do que somos e do que devemos fazer.
4) Na liturgia, não é suficiente seguir à risca as rubricas (o que é importante, mas não basta). Pede-se muito mais. Trata-se de compreender e viver ‘de dentro, o mistério pascal de Cristo, com todas as consequências que comporta, em nível pessoal e pastoral.
5) Quem preside não é um ‘ator’ (ou comediante) que deve embelezar cerimônias para entreter o seu público que, satisfeito pelo espetáculo, bate palmas e…’gostou’! Nada disso tem a ver com o que celebramos quando ‘anunciamos a morte do Senhor’!

Regional NE 3 da CNBB promoveu o encontro das Pastorais, Organismos e Movimentos




Coordenadores das Pastorais, Movimentos e Organismos presentes no Regional Nordeste 3 da CNBB participaram do encontro realizado no CTL de Salvador, de 2 a 4 de maio. O evento também reuniu os coordenadores diocesanos de pastoral de 20 das 26 dioceses que compõem o Regional. O Neopentecostalismo foi a temática escolhida para a reflexão e o encontro contou com a assessoria do padre Marcus Barbosa Guimarães, assessor  da  Comissão para o Ecumenismo da CNBB.
Para o assessor, refletir sobre o Neopentecostalismo pode ajudar a Igreja no caminho do ecumenismo. “O fenômeno do neopentecostalismo não é novo. Temos muitos desafios pastorais nessa caminhada. Nosso caminho nunca será o da guerra, nem da disputa, mas sim um caminho de construção de pontes. Deixando clara as nossas diferenças e valorizando aquilo que nos une”, afirmou o padre.
A representante da Renovação Carismática Católica do Estado da Bahia, Meire Alessandra dos Santos percebeu no encontro a possibilidade ampliar a articulação pastoral do Regional. “É um grande desafio porque represento a Renovação Carismática que é um movimento neopentecostal dentro da Igreja. Temos o coração aberto para acolher e cumprir o que a Igreja orienta. É a primeira vez que participo de um encontro como esse e vejo nele a oportunidade de colaborar na articulação pastoral do Regional”, afirmou.
Ao longo do encontro os participantes tiveram momentos de partilhas e também de organização da próxima assembleia do Regional. Para Cátia Cardoso, secretária-executiva da Cáritas Regional NE 3, a realização desse encontro é uma conquista importante. “Esse é um encontro histórico para nós porque sempre caminhamos separados. Os coordenadores diocesanos de Pastoral tinham o encontro deles e os coordenadores das pastorais, organismos e movimentos realizam o seu encontro. E a gente sempre queria houvesse essa integração para fortalecer a caminhada do Regional”, comemora.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Dom Crippa: Pastor com o perfume de Cristo e o cheiro das ovelhas

“Pastor, primeiro, com o perfume de Cristo, e, depois, com o cheiro das ovelhas, porque temos que ter antes de tudo o perfume de Cristo, esta identificação com Cristo Pastor para sermos também bons pastores no meio do povo de Deus”, afirma o bispo de Estância - SE.
Raimundo de Lima - Cidade do Vaticano
Amigo ouvinte, o quadro “O Brasil na Missão Continental” de hoje dá continuidade à edição precedente na qual nosso convidado, o bispo da Diocese de Estância, Dom Giovanni Crippa, trouxe-nos para este espaço de formação e aprofundamento um pouco da realidade eclesial desta Igreja particular do Estado de Sergipe.
Identificação com Cristo Bom Pastor
Natural de Besana Brianza, região italiana da Lombardia, Dom Giovanni chegou ao Brasil no ano 2000 como sacerdote Missionário da Consolata, no âmbito da missão ad gentes (além-fronteiras). Eleito para o episcopado em 2012, desde agosto de 2014 é bispo da referida diocese sergipana.


Em entrevista ao colega Silvonei José, ele nos fala de sua experiência de religioso missionário contextualizando-nos sua chegada ao Brasil e, depois, como bispo missionário. “Pastor, primeiro, com o perfume de Cristo, e, depois, com o cheiro das ovelhas, porque temos que ter antes de tudo o perfume de Cristo, esta identificação com Cristo Pastor para sermos também bons pastores no meio do povo de Deus”, afirma nosso convidado. Vamos ouvir (ouça na íntegra clicando acima).

Diocese de Roma: Papa concluirá caminho sobre doenças espirituais

Será apresentada uma síntese dos trabalhos realizados pelas paróquias. Depois, o Papa fará seu pronunciamento. Estarão presentes também representantes das agregações eclesiais, das capelanias e das escolas católicas da Cidade Eterna.
Cidade do Vaticano
A Diocese de Roma terá um encontro na próxima segunda-feira (14/05) com o seu bispo. Marcado para as 19h locais, na Basílica de São João de Latrão – sede da Diocese de Roma –, o encontro com o Papa Francisco terá a participação do arcebispo vigário da Diocese de Roma, Dom Angelo De Donatis, dos bispos auxiliares, sacerdotes, religiosos e religiosas e centenas de leigos engajados nas comunidades paroquiais e nas outras realidades eclesiais. O Santo Padre concluirá o caminho iniciado no período quaresmal pelas paróquias e vicariatos sobre as “doenças espiritu
Encontro terá diferentes momentos
O encontro terá início com um momento de oração. Em seguida, será apresentada uma síntese dos trabalhos realizados pelas paróquias preparada por uma comissão diocesana, da qual será porta-voz o professor do Instituto Pastoral “Redemptor Hominis” da Pontifícia Universidade Lateranense, Pe. Paolo Asolan.
Após a apresentação da síntese o Pontífice fará seu pronunciamento. Estarão presentes também representantes das agregações eclesiais, das capelanias e das escolas católicas da Cidade Eterna.
Carta pastoral do vigário do Papa para a Diocese de Roma
O encontro foi anunciado dias atrás pelo arcebispo vigário do Papa para a Diocese de Roma, Dom De Donatis, com uma carta endereçada à diocese.
“Estão chegando aqui ao Vaticano através dos bispos auxiliares os relatórios que sintetizam o percurso que fizemos – escreve o prelado. O material que reunimos será entregue ao Papa, a fim de que possa ver como a sua diocese se interpela sobre as fadigas no anúncio da alegria evangélica.”
Indicações da Evangelii Gaudium
O fio-condutor do trabalho realizado até aqui têm sido as indicações feitas pelo Santo Padre na Exortação apostólica Evangelii Gaudium. Agora, explica Dom De Donatis, “o próprio Papa nos indicará a ‘terapia’ para superar aas doenças que identificamos”.
Daí, o convite a participar do encontro, “um momento de graça que fará crescer na dimensão espiritual e comunitária”. Depois, antecipa o vigário da Diocese de Roma, em junho “todas as comunidades refletirão sobre as indicações que o Papa Francisco nos terá dado”.
Traduzir orientações em linhas operacionais
Desse modo “nos prepararemos para o próximo ano pastoral, que se abrirá em setembro com outra etapa do nosso caminho, quando nos reuniremos para traduzir todos as orientações dadas em linhas operacionais para a vida espiritual e a ação pastoral”.
A economia de exclusão, a indiferença egoísta, o individualismo cômodo, a guerra entre nós, o pessimismo estéril, o mundanismo espiritual: essas são as “doenças espirituais”.
Reflexão sobre as “doenças espirituais” iniciada na Quaresma
A reflexão sobre o tema tinha sido iniciada na Diocese de Roma, por impulso do vigário Dom De Donatis, pouco depois da abertura da Quaresma, com uma carta – enviada aos sacerdotes e aos diáconos em 30 de janeiro passado – em que convidava a iniciar, nas paróquias e nos vicariatos, um debate e reflexão sobre essas “doenças espirituais”.
Para ajudar a proposta, o Conselho episcopal preparou um dépliant intitulado “Não são os sadios que precisam de médico, mas os doentes”, expedido pelo vigário junto com a carta. O resultado deste discernimento é o que será apresentado pelo Papa Francisco.
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